quinta-feira, 27 de julho de 2017

«Os vagabundos da verdade» de Jack Kerouac


As trilhas são assim: ora flutuamos num paraíso shakespeariano e até esperamos ver, de um momento para o outro, ninfas do mar e faunas, ora, subitamente, nos debatemos, debaixo do sol escaldante, num inferno de poeira, urtigas e silvas...Tal como a vida.


-O mau Karma produz automaticamente bom Karma -Observou Japhy. -Não praguejes tanto e avança, pois em breve estaremos muito bem sentados em terreno plano.

in Os Vagabundos da Verdade, de Jack Kerouac, Editorial Minerva



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Escola Comercial Patrício Prazeres



Escola Comercial Patrício Prazeres





Esta foi mais uma das escolas que frequentei que, embora não fosse por vontade própria que ali estava, nem estivesse vocacionada para os estudos que proporcionava, me deixou muitas e boas recordações.

Com apenas 13 anos, eu era de pequena estatura com essa idade, lá subia eu as escadinhas do Castelo todos os dias, para entrar às oito horas para a secção da Costa do Castelo, que funcionava para os alunos do 1º ano do curso complementar, no antigo edifício da Escola Primária nº 10. No inverno ainda era noite fechada, os degraus eram muitos, mas as minhas curtas pernas subiam ligeiras por ali acima. Devia de encontrar outras alunas no caminho, disso não me lembro, os perigos por ali já não rondavam, àquela hora matinal. Os que se tinham deitado tarde, vagueando pela cidade, estavam agora a dormir, as casas mal começavam a despertar nos seus recantos com sardinheiras.




Mais tarde, aos 14 anos, já no 2º ano do Curso Complementar de Comércio, fui então para a sede da Escola Patrício Prazeres, no Alto de São João (sabia vagamente que existia lá um cemitério, mas era coisa em que não pensava nem me preocupava).



O caminho era mais arrojado ainda, mas eu já mais experimentada e cheia de determinação.

Ia de autocarro dos Olivais Sul para a Praça do Chile, depois a pé pela Morais Soares (ou de eléctrico, mas preferia a pé para poupar o dinheiro e encontrar outras colegas pelo caminho). Chegada ao Alto de S. João, descia uma grande calçada com casebres de gente muito pobre, um bairro de lata, como se dizia então, que esse sim, me metia um pouco de medo.

Nunca aconteceu nada, salvo um dia em que uma petiza que nem 2 anos devia de ter, me atirou um alguidar de água para cima, e a água parecia ter qualquer coisa adocicado. Deve ter sido encomenda de algum irmão mais velho. Fiquei tão danada e estupefacta, que não consegui dizer nada.

Chegada à escola, lá me limpei o melhor possível, e nunca esqueci este episódio nem a figurinha da minúscula criança que me deitou uma mistela qualquer para cima!




Muitas outras pequenas aventuras me aconteceram nesta escola, onde encontrei professores que jamais esqueci, ótimos professores mesmo. Fiquei na Patrício Prazeres até aos 16 anos.

Também me lembro vagamente de alguns dos meus colegas, pena termos perdido o contacto, como acontece muitas vezes.
Desses tempos restou uma foto, que tinha esquecido e que encontrei há dias. Foi bom tê-la encontrado, nostalgias à parte.



Estes eram os meus colegas do curso complementar da Escola Patrício Prazeres, com a professora à esquerda (ao lado dumas crianças que estavam na praia, filhas de pescadores pela certa), em Sines, numa visita de estudo que fizemos, em março de 1971. Eu tinha 16 anos (ao centro, sentada no barco).

Enquanto que nos liceus andavam meninas para um lado e rapazes para o outro, e os professores eram, geralmente, pessoas distantes dos alunos, nas tais escolas «comerciais» ensinavam-se coisas como dactilografia, caligrafia, contabilidade, economia doméstica, mercadorias (esquisito!), francês e inglês comercial, matemática, química...E rapazes e raparigas viviam em comum no seu dia-a-dia escolar, aprendendo para a vida, sem agressões nem barreiras. Isto sim, era verdadeira integração de todos.

Era tudo bons rapazes e boas «moças»!


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pegadas na areia



Pegadas na areia

O mundo foi sempre caótico e injusto e continuará a ser.
O ser humano, uns maus outros bons, tendo até agora prevalecido em número os bons(ou mais ou menos), doutra forma já cá não estaríamos.
Esperemos que assim continue até ao infinito.


Na areia dos tempos, as pegadas do cão fazem uma linha recta, em frente uma da outra, marcando a sua determinação em seguir ou encontrar o seu objectivo.


As pegadas do Homem são quase lado a lado, para amparar o peso do corpo.
Ou será antes por indecisão, receio ou desejo de deriva?



domingo, 16 de julho de 2017

Educação e a Língua Portuguesa



Os pais, as crianças e a Língua Portuguesa

Os pais, as crianças e a língua portuguesa - estão todos um pouco baralhados.
Em menos de uma hora vi/ouvi uma criança a chorar a sério, aos berros, ao ser «embarcada» com outras numa canoa (Parque das Nações). Porque raio os pais a queriam fazer marinheiro/a à força, ou sem a devida preparação?

Mais à frente, um grupo de mamãs conversavam e carregavam com crianças já grandinhas ao colo. Uma delas perguntou à criança, tentando pô-la no chão, já cansada, claro: «Queres ir pelo chão?». Que raio de pergunta é esta? «Queres» pressupõe que a criança é que manda na mãe, que tem de ser escrava dele. «Pelo chão»? De que outro modo havia de ser, pelos ares?
Só se fosse no teleférico.
Felizmente que o passeio de domingo foi curto.





segunda-feira, 3 de julho de 2017

«Pôr-do-sol»


Todos os dias têm um fim
Todos os dias o sol se deita
No horizonte azul-rosa-lilás-roxo-cinzento
Mas neste dia
O pôr-do-sol foi assim

E eu estive a olhar
Esse céu infinito
Como se fosse eu que adormecia

Vi um pôr-do-sol
E tudo se tornou em magia. 
                                               Isabel del Toro Gomes