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domingo, 20 de março de 2011

«Rosa,Rosae» de Merícia de Lemos



 
Mais uma poeta que caiu no esquecimento, mesmo entre os moçambicanos, que não a conhecem, na sua grande maioria.

Merícia de Lemos nasceu em 1913 na Beira, Moçambique, e morreu em 1996. Viajou bastante pela Europa, Ásia e África, vivendo depois entre Lisboa e Paris, dedicada às antiguidades e ao jornalismo. Colaborou em diversas revistas e jornais, onde foram publicadas várias poesias suas de inspiração africana. A sua poesia caracteriza-se por um tom direto muito lúdico e subtil, em que uma feminilidade franca sabe encontrar uma intensidade ora graciosa ora melancólica, ora comovente. Foi das primeiras, depois de Irene Lisboa, a evitar o convencionalismo socio-sentimental da poesia «feminina».

Rosa, Rosae
Dá-me rosas, outras rosas
dá-me mais rosas amor.

Já olhaste bem as rosas?
Rosas-bocas rosas-olhos
e há rosas coração.
Há rosas que são sorrisos
e rosas que são paixão
Rosa-beijo, rosa-abraços
e rosas-mãos.

Numa noite de luar
uma grande rosa aberta
acenou-me num jardim:
corri logo para ela
- seria a rosa-aventura?

Pela tarde num caminho
à hora em que o sol cansado
pensa em ir-se deitar
encontrei uma roseira
com uma rosa em botão
muitas folhas e espinhos
-e estava ali porquê?
Linda rosa cor-de-rosa

Era o amor feito rosa,
sem saber...
                                          in «Rosa, Rosae)