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sábado, 12 de dezembro de 2020

As varinas excerto de «Lisboa na rua» por Júlio César Machado



Lisboa na Literatura


“Já passaram alguma vez por aquelas vielas fuscas, tortuosas e escorregadias, que se chamam Calçada do Castelo Picão, a rua das Madres, o Beco da Peças, as Travessas do Pasteleiro, do Pé de Ferro, ou das Isabéis? Aí vivem, aí moram as varinas às onze e às doze em cada casa. Dormem à luz das estrelas, numas lojas térreas em que de verão se acende o lume à porta e de inverno no meio do chão, de porta e janela aberta, sem medo que as roubem, fazendo da canastra travesseiro e almofada do chapéu de Braga; partem de madrugada para a Ribeira ou ao encontro dos barcos de pesca; lá jantam por aí ao acaso nas tabernas, nas escadas, pela rua ; e à noite recolhem chilreando alegres como um bando de aves, com os filhinhos ao colo ou metidos nas canastras com o dinheiro, em acabando a venda. Quando lhes dá para ser formosas, nada há mais elegante que essas raparigas de olhos grandes e límpidos, esbeltas, donairosas, parecendo figuras tiradas de mármore, andando descuidosas de quem olha para elas, das galanterias com que as requestam, dos pedidos que lhes fazem…” in “Lisboa na Rua” por Júlio César Machado, desenho de Manoel Macedo, 1874



Almada Negreiros, Gare Marítima de Alcântara